Sair do CLT para empreender costuma parecer uma decisão “de coragem”. Mas, quando olhamos com lupa para o que dá certo no varejo e no franchising, o que realmente sustenta o crescimento é outra coisa: método, disciplina e foco no que move resultado.
No episódio do PodSonhar, do Poder360, CEO do JAH Rafael Corte compartilhou 5 dicas diretas para quem quer fazer essa transição. Ele contou como saiu do mundo corporativo (passou por Shell) para construir uma rede fundada em 2009, que hoje tem mais de 180 unidades no Brasil, Alemanha e Portugal, e faturou mais de R$ 160 milhões em 2025.
A seguir, 5 dicas com exemplos do dia a dia de varejo/franquias, para você traduzir ideia em prática.
1) Product-market fit não é “achar que vai dar certo”. É validar com evidência.
A primeira dica é ser pragmático: validar demanda real (dados, evidências e fatos do setor), sem se apoiar em narrativa para se convencer.
No franchising, o “fit” tem 2 camadas:
(a) Fit do modelo
Existe uma razão pela qual o formato importa. No nosso caso, o conceito de autoatendimento e liberdade de escolha foi parte do que ajudou a marca a escalar como operação de varejo.
(b) Fit do ponto + público local
Mesmo com um modelo validado, cada unidade é um “micro-mercado”. Por isso, antes de empreender (ou escolher uma franquia), a pergunta é: o seu ponto tem demanda compatível com o seu mix, ticket e fluxo?
Checklist de validação (rápido e acionável)
2) Plano macro é essencial. Mas o resultado se decide no “micro” (rotina da loja).
O Rafael reforça: plano macro define posicionamento, mas o sucesso vem da execução micro, entendendo públicos diferentes e criando estratégias específicas de recorrência.
Exemplo prático do varejo: “o mesmo produto, públicos diferentes”. Dentro de um shopping, você pode ter 3 “missões” no mesmo dia:
O que muda? Comunicação, abordagem, ritmo de atendimento, ofertas e até a forma de organizar a experiência.
Mini template (para empreender sem se perder)
3) PDCA: a rotina que impede o empreendedor de viver “no susto”
Empreender exige monitoramento constante. O Rafael recomenda PDCA (Planejar, Fazer, Checar, Agir) e reforça que, sem números, você vira refém de opinião.
PDCA aplicado em uma unidade
PLAN (Planejar | 30 min/semana)
DO (Fazer | execução diária)
CHECK (Checar | 15 min/dia + 1h/semana)
ACT (Agir | ajuste rápido)
No varejo, consistência ganha de intensidade. O “todo dia” constrói resultado.
4) Matriz GUT: pare de priorizar por ansiedade. Priorize por
impacto
A dica é usar a Matriz GUT (Gravidade, Urgência e Tendência), com nota de 1 a 5, para focar no que “muda o ponteiro”. E um lembrete que vale ouro: empenho não é desempenho.
Alguns temas parecem “chatos”, mas quebram um negócio rápido, como falhas de gestão financeira, que ele cita como prioridade máxima (podendo chegar a 125 pontos).
Uma forma prática de usar:
Exemplos de itens que costumam pontuar alto no varejo:
5) Escute as pessoas certas
O Rafael comenta que muita gente busca conselho com familiares só para ouvir validação e recomenda mentores com experiência comprovada, que já viveram situações semelhantes.
No franchising, isso vira vantagem competitiva. Um bom sistema de franquia encurta curva com:
E, mesmo assim, a regra vale: procure referências que operam de verdade, gente que consegue ajudar com decisão, rotina e números.
Fechamento
Sair do CLT para empreender não é sobre dar “um salto de fé”. É sobre construir um caminho com método: validar demanda, planejar, executar com disciplina, medir, ajustar e aprender com quem já fez.
Foi isso que apareceu com clareza na conversa do PodSonhar e é isso que o varejo ensina todo santo dia.
Se você está nesse momento de transição, aqui vai uma pergunta que ajuda muito: qual parte você já validou com fatos e qual parte ainda é só esperança?
Confira o podcast na íntegra: https://open.spotify.com/episode/555G4tDs0mAMHksnlGEUSZ